sexta-feira, 9 de novembro de 2007

ENCONTRO DE ESPIRITUALIDADE - Viveremos Eternamente!

É já hoje - 9 de Novembro, pelas 21:30 horas, no Centro Paroquial da Meadela, o 1º Encontro de Espiritualidade deste ano catequético.
Porque estamos a viver um tempo de oração e comunhão com os defuntos, o director do SDEC Viana, Pe. Valdemar Fernandes, ajudar-nos-á a reflectir sobre a realidade da morte celebrada em Cristo Ressuscitado.
Há uma cadeira reservada para cada um de nós!

A propósito deste tema, vem na Revista Audácia deste mês, um artigo interessantíssimo assinado por Margarida Maria, com o título ALÉM, HÁ ESPERANÇA. Passamos a citá-lo para reflexão:
«Os católicos acreditam numa vida além da morte, mas há quem defenda que com a morte tudo se acaba, tudo se apaga. Em todo o caso, não o sabemos, como não o sabiam os dois gémeos de um breve conto do qual me falaram recentemente e que passo a partilhar convosco. Os dois gémeos discutiam as suas preocupações no ventre da mãe. Um queixava-se que o outro tinha crescido muito e, por isso, já não se conseguia mexer. O outro, embora afirmasse ser muito franzino, tinha exactamente as mesmas queixas do irmão. Certo dia, um perguntou ao outro:
— Tens alguma ideia do que vai acontecer a seguir? Ficaremos aqui, esmagados, um contra o outro? Iremos odiar-nos devido à falta de espaço? O local onde estamos acabará por rebentar? O que vai acontecer connosco?
— Não faço ideia nenhuma — respondeu o outro. E continuou: - Não acreditas que há vida depois do nascimento?
— Vida depois do nascimento? Acreditas nisso? Onde foste buscar essa ideia?
— Claro que sim! Acredito que essa é a finalidade da nossa vida, aqui, nesta escuridão. É preciso que nos tornemos bastante fortes para enfrentar o parto e a vida que se segue ao nascimento.
— Estás maluco? Isto é um absurdo. E o que é que aconteceria lá fora, quando saíssemos daqui?
— Eu não sei quase nada... Mas, pelo que me apercebo, lá fora tem mais luz e ouço vozes. De vez em quando há aquele som melodioso que tanto nos agrada e acalma. E, quando estamos mais agitados, sinto uma espécie de mão a passar, como se nos acariciasse. Quem sabe, talvez haja outros a quem podemos tocar, talvez sejamos capazes de caminhar e de comer com a nossa própria boca.
— Que ideias mais estranhas tu tens! Comer com a boca? Para quê se temos o cordão umbilical que nos traz alimento e que, aliás, é muito curto para nos permitir sair daqui.
É evidente que deverá haver diferenças. Temos de esperar. Não sei...
— Pois claro que não sabes! Ninguém voltou de lá para contar! Mesmo ninguém, entendes? Com o nascimento, a vida termina. Aliás, eu acho que esta vida é muito sofrida e sombria.
— Mesmo que nós não saibamos o que vai acontecer, vamos, finalmente, conhecer a nossa mãe!
— A nossa mãe? Também acreditas nela? Onde é que ela está?
— Aqui, onde nós estamos, em toda a parte, à nossa volta! Sem ela não poderíamos estar vivos!
— Olha, nunca vi nada que se parecesse com alguma coisa chamada «mãe»... Não creio que ela exista!
— Tu não vês? Ou não queres ver? Às vezes, quando estamos quietinhos, eu ouço alguma coisa, como uma voz, um tanto inacessível, é certo, mas ao mesmo tempo, muito próxima de nós. Como quando nos mexemos... Julgo que ela existe e nos veremos um dia. E estou ansioso que esse momento chegue.
— Está bem. Queres iludir-te, não é? Fica com a tua imaginação...

METÁFORA
Este conto não tem um final, porque o fim é o que cada um de nós é capaz de fazer da vida para poder estar em Paz consigo mesmo.
De facto, costuma ouvir-se dizer que «da morte ninguém voltou» e não se sabe o que acontece depois. As diferentes religiões dão-nos também diferentes pontos de vista, mas as dúvidas são o que mais subsiste. Apesar de tudo, fica a esperança...
Este conto, esta metáfora da morte, permite-nos, contudo, reflectir. E não deixa de ser curioso que essa reflexão parta dos gémeos por nascer, sabendo nós já que, depois do nascimento, existe outra vida, ainda que ninguém tenha voltado ao ventre materno para o revelar, como defende um dos pequenos. Fica, no entanto, a fé do outro, a sabedoria de aprender a esperar de coração e mente abertos, a esperança em tudo o que o futuro nos pode trazer.
Não sabemos o que a morte nos traz, como os gémeos não sabiam o que lhes traria o nascimento. Mas temos de ter sempre a certeza de que a vida, seja qual for o momento em que se estiver, deve ser vivida plenamente, com a consciência da Paz e no sentido da esperança. »
em Revista Audácia, Novembro 2007, pag. 36

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