sexta-feira, 15 de abril de 2011

Catequese: Responsáveis discutem desafios contemporâneos para a transmissão da fé 50º Encontro Nacional da Catequese prossegue na Guarda


Conferência D. José Policarpo


Conferêcia Enzo Biemmi I


Conferência Enzo Biemmi II



O Encontro Nacional de Catequese é uma iniciativa habitualmente dirigida aos responsáveis do setor nas 20 dioceses territoriais de Portugal, mas que este ano vai contar com a presença dos antigos diretores, devido ao “caráter festivo” que a iniciativa vai assumir. O 50º Encontro Nacional de Catequese, dedicado ao tema «Sereis minhas testemunhas», tem como objetivo principal debater os desafios que se colocam aos catequistas de hoje, numa sociedade secularizada e global. O cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, é o orador da primeira conferência, intitulada «A Catequese no contexto das prioridades pastorais da Igreja em Portugal», tema que se enquadra na avaliação das linhas orientadoras da transmissão da fé que desde 2010 tem envolvido os bispos e as principais instâncias católicas. O encontro, baseado na frase «Sereis minhas testemunhas», atribuída a Cristo no livro bíblico dos Atos dos Apóstolos, inclui a participação do frei Enzo Biemmi, presidente da Equipa Europeia de Catequese, palavra de origem grega que significa ‘ensino oral’. Os desafios que a secularização coloca à catequese e a formação dos catequistas, uma das principais preocupações do SNEC, constituem os temas das duas intervenções do religioso italiano. O programa inclui a dimensão histórica através das conferências do padre António Moiteiro Ramos («Os catecismos em Portugal – um percurso de propostas educativas») e Maria Luísa Boléo («Encontro Nacional de Catequese - um contributo para o desenvolvimento da Catequese em Portugal»). Igreja: «Catequese não pode desligar-se da sua missão evangelizadora», diz cardeal-patriarca Para D. José Policarpo, cada catequista deve ser um «pastor» que ajuda a aprofundar a identidade da Igreja no mundo


Guarda, 14 abr 2011 (Ecclesia) – O cardeal-patriarca de Lisboa defendeu hoje a necessidade de uma Catequese “viva” e “evangelizadora”, no ensino e na vivência da palavra de Deus, que cumpra a sua missão numa sociedade “cada vez mais pós-cristã”. “A Catequese situa-se no âmbito do esforço da Igreja se evangelizar continuamente a si mesma, mas não pode desligar-se do dinamismo da missão evangelizadora” sublinhou D. José Policarpo,. Numa análise à questão «Catequese no contexto das prioridades pastorais da Igreja em Portugal», este responsável convidou os educadores cristãos a não fazerem da Catequese “uma escola de doutrina”, mas parte de um processo de crescimento da comunidade cristã, de conhecimento da Deus, para depois o transmitir aos outros. Mais do que “um professor” – defende o cardeal-patriarca – o catequista deverá ser um “pastor” ajudando cada cristão a “ser Igreja” e a “aprender e confrontar a escuta pessoal com a da Igreja”, para depois poder defender a doutrina cristã dentro da sociedade. “A Catequese, hoje, não só não pode sublinhar, mas tem de corrigir a tendência cultural de querer levar a Igreja a dizer o que cada um quer ouvir” reforça. D. José Policarpo chamou também a atenção para a necessidade de fazer da Catequese um “tempo da Igreja”, incentivando a uma participação ativa da comunidade nas celebrações religiosas, no “encontro com profundo e verdadeiro com Cristo”. Na escuta e aplicação quotidiana da Palavra de Deus, cada um poderá fazer da vida “uma expressão de amor e de louvor”, cumprindo assim o objetivo que norteia toda a mensagem catequética. Segundo o patriarca de Lisboa, se o trabalho dos educadores “se limitar a analisar textos do passado será, talvez, estudo interessante, mas não é Catequese”. Dar este passo em frente, diz o prelado, é fundamental, para que as crianças, jovens e adultos possam, de facto, conhecer a “beleza de Deus” e do seu Filho Jesus Cristo, e desejem “habitar na casa do Senhor”.


SNEC Guarda, 15 abr 2011 (Ecclesia) – A discussão sobre os desafios que hoje se colocam à transmissão da fé, dentro das comunidades católicas, está a marcar os trabalhos do 50º Encontro Nacional da Catequese, que decorre na Guarda de 14 a 16 de abril. O padre António Moiteiro Ramos falou aos participantes sobre «Os catecismos em Portugal – um percurso de propostas educativas», num olhar sobre a história desta realidade, desde a sua organização paroquial aos livros que condensam o essencial da doutrina cristã. Esta mudança, acrescentou, contribuiu decisivamente para que em 1988 a iniciação cristã, em Portugal passasse a contar “com um plano nacional de dez catecismos”. No final da sua intervenção o padre Moiteiro indicou que, num novo contexto como o atual, os catecismos “devem utilizar uma teologia narrativa e proporcionar aos catequizandos uma autêntica experiência religiosa”. Noutra conferência, Maria Luísa Boléo recordou o surgimento do Secretariado Nacional de Catequese (SNEC), criado em abril de 1952, na sequência de um encontro em Coimbra, dois anos antes, com representação de quase todas as dioceses do país. Para esta responsável, desde esses tempos primordiais até aos nossos dias “a catequese passou por profundas transformações a diversos níveis: metodologia, linguagem, conceito de destinatários e a sua própria finalidade”. O encontro, baseado na frase «Sereis minhas testemunhas», atribuída a Cristo no livro bíblico dos Atos dos Apóstolos, inclui a participação do frei Enzo Biemmi, presidente da Equipa Europeia de Catequese, que hoje profere duas conferências. Catequese: Igreja Católica chamada a ser «criativa» na transmissão da sua mensagem Presidente de equipa europeia deixa desafios aos responsáveis portugueses, pedindo «mudança de paradigma»


15 abr 2011 (Ecclesia) – O presidente da Equipa Europeia de Catequese, frei Enzo Biemmi, afirmou hoje na Guarda que a Igreja Católica deve ser “criativa” na transmissão da sua mensagem, promovendo uma “mudança de paradigma” nesta área específica. Falando esta manhã no 50.º Encontro Nacional da Catequese, que decorre até sábado, frei Enzo Biemmi disse que os catequistas devem abandonar uma ação de “enquadramento”, apresentando uma proposta “missionária, iniciática, secular”. Numa intervenção intitulada «A catequese e os catequistas face aos desafios da secularização», este responsável defendeu “uma passagem da linguagem, da organização e da proposta intraeclesial a uma linguagem laica, a uma desorganização da nossa pastoral autorreferencial com vista a uma reorganização sobre os tempos e os ritmos da vida humana”. “A situação de secularização que atravessa toda a Europa coloca grandes desafios à comunidade eclesial na tarefa de evangelização que lhe foi confiada pelo Senhor Jesus”, alertou, falando num “verdadeiro êxodo para a comunidade cristã”. Neste contexto, Biemmi considerou fundamental “uma proposta da fé que toque as necessidades da vida das pessoas”. “No horizonte de um cristianismo da graça, numa lógica de liberdade, de gratuidade, de maternidade, após a longa estação de catequese de enquadramento, abre-se na Europa a época de um anúncio no registo da surpresa”, indicou. Para o presidente da Equipa Europeia de Catequese, “este anúncio não seleciona: todo o homem, toda a mulher é digna de Deus, é objeto da sua atenção graciosa”. Este responsável elevou “quatro situações” na relação dos europeus com a fé cristã, que passam, diferenciadamente, pela “rutura”, a “continuidade sociológica parcial”, a “continuidade individual e ritual” e a “indiferença serena”. Enzo Biemmi sublinhou que estas situações colocam desafios à catequese, “que pressupõe a escolha fundamental e explica os conteúdos e as atitudes” da fé. “Numa cultura de secularização, de globalização, de comunicação planetária, nem a família, nem a escola, nem a aldeia levam a cabo a iniciação sociológica à fé cristã”, precisou. O especialista advogou, por isso, que se passe de “uma catequese reservada às crianças para uma que torne o adulto no sujeito e destinatário principal da catequese, mesmo no caso da catequese das crianças”. À Igreja, declarou Biemmi, compete “reaprender a anunciar o Evangelho sobre as situações de vida das pessoas, sobre as passagens das suas vidas, sobre o que as faz viver, sofrer, ter esperança”. “Há que anunciar um evangelho do amor, um evangelho da paternidade e da maternidade, um evangelho da paixão e da compaixão, um evangelho da fragilidade afetiva e física, um evangelho da ressurreição no coração de qualquer experiência de morte”.

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